Pouco menos de 30 quilômetros separam o Refettorio Gastromotiva, na Lapa, da sede do Projeto Amparando, no Jardim Gramacho, em Duque de Caxias. Este foi o destino de um grupo de 12 empreendedores sociais de diferentes partes do mundo em sua primeira Jornada de Aprendizagem do Social Gastronomy Summit Rio. O projeto evidenciou um cenário de extrema pobreza e as condições limitadas de higiene e salubridade, no qual vive a comunidade em torno do que já foi o quarto maior lixão da América Latina.

Na comunidade com cerca de cinco mil moradores, o Amparando atende hoje 155 crianças oferecendo reforço escolar, alimentação duas vezes ao dia, oficinas de artes e assistência social, psicológica e jurídica às suas famílias, que somam mais de 100 beneficiárias no total. Instituído em 2014, o Amparando começou com uma sede improvisada no meio do aterro sanitário, onde não havia banheiros e água. Ao longo dos anos e com ajuda de doações, o projeto foi se mudando até chegar a atual casa, onde os representantes do Movimento da Gastronomia Social se reuniram para discutir a nutrição e a cadeia do alimento. “Muita gente na comunidade ainda sobrevive a partir do lixo”, conta Ecila Barbosa, voluntária do projeto.

Para integrar o projeto, as crianças precisam atender a alguns requisitos: estar matriculado e frequentando a escola, ter a carteira de vacinação em dia, e ter pelo menos uma pessoa da família trabalhando. “Buscamos a inserção desses beneficiários na sociedade de forma ativa e preferimos ensinar as possibilidades”, conta a voluntária. Como parte das atividades, o Amparando oferece também oficinas de capacitação para as mulheres, como manicure, panificação e doces. A instituição se mantém com a ajuda de sete voluntários,  doações, apadrinhamento de algumas crianças e realização de alguns eventos ao longo do ano.

O aterro, que existe desde 1976, foi oficialmente desativado em 2012. “O aterro continua funcionando clandestinamente mas hoje os caminhões diminuíram. Com isso também o ‘sustento’ dessas famílias”, conta a Ecila. Os representantes da Movimento da Gastronomia Social participaram de uma apresentação do projeto e suas atividades, seguida de uma oficina com as crianças do Amparando para montar uma pequena horta de temperos. A jornada de aprendizado terminou com uma visita ao aterro sanitário e às moradias improvisadas das famílias que ainda sobrevivem dele.

Texto: Bárbara Rafaelli

Fotos: Carlos Leandro