Apesar de ser um atrativo turístico, em especial para os estrangeiros, o Vidigal está longe de ser um sinônimo de luxo. Situada na Zona Sul carioca, a favela recebeu, no último domingo (04), a Learning Journey do Social Gastronomy Summit Rio. Em uma roda de conversa realizada no Instituto Todos pela Luta – organização não governamental que integra crianças e jovens por meio do boxe – membros do projeto e embaixadores de Gastronomia Social de várias partes do mundo debateram sobre um grande problema que assola a comunidade: a má alimentação em áreas de conflito. 

Júlia Giglio, uma das fundadoras da instituição, explicou aos convidados como funciona a rotina do grupo esportivo frente ao contexto político e social no qual ele está inserido: “Além de praticarem o esporte, os alunos fazem atividades culturais e pedagógicas e têm acompanhamento psicológico e de serviço social. Nós buscamos realizar atividades com temas universais e que agreguem valor, não para que eles sejam competidores, mas para que sejam o que quiserem.” 

Além disso, a moradora contou a respeito da delicada situação que vive a comunidade diante de questões ligadas à alimentação, a qual fica bastante comprometida por conta de fatores como a pobreza, os grupos armados e outras formas de violência fortemente presentes no território. Segundo ela, os 105 alunos, de 9 a 17 anos, que frequentam a academia não se alimentam no local que treinam por falta de condições da entidade. “As crianças não comem aqui, porque atualmente não temos dinheiro para sustentar o orçamento dos lanches”. 

A parte esportiva, porém, está bem consolidada. Nos últimos anos, alguns alunos chegaram, inclusive, a concorrer os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, e de 2016, no Brasil. Entretanto, apesar do grande feito, no geral, a organização tem demonstrado dificuldades, em especial quando o assunto é comida. “A gente vê com muito bons olhos o movimento que a Gastromotiva está fazendo de criar uma rede de Gastronomia Social, porque a gente acredita que o alimento é uma das mais importantes coisas na vida.”, ponderou Júlia. 

Após o debate, junto ao grupo de design para sustentabilidade social Gaia Education, os participantes da Learning Journey se reuniram para revitalizar um espaço de convivência da escola de boxe. Por meio da bioconstrução, a ideia era expandir uma área do Instituto com o objetivo de desenvolverem ambientes que ampliem a capacidade do local e auxiliem na qualidade do projeto. Para os próximos anos, a associação planeja uma cozinha, um pátio e uma horta, a fim de melhorarem a realidade dessas pessoas em estado de vulnerabilidade numa região de conflitos como o Vidigal.  

 Texto: Rayane Rocha

Fotos: Ruan Richard